quarta-feira, 15 de abril de 2009

Ensaio

Pessoas,

Resolvi postar um texto que escrevi. É um "ensaio" para um conto. Ainda não cheguei a tanto. Mas aos pouquinhos a coisa sai. Quando tiver alguma coisa pronta, definitiva e acabada, eu coloco aqui pra vocês. Aceito críticas (desde que sejam as melhores... brincadeirinha) e opiniões.

Ele chegou e disse a ela que não poderia mais amá-la. Que aquele amor que eles haviam cultivado por tantos anos tinha morrido. Que a solidão estava sendo melhor companheira que ela.

Ela ouviu estática aquelas palavras que saiam da boca dele, mas não compreendia. O som da sua voz parecia distante e não estava em sintonia com o movimento dos seus lábios. Então o nosso amor morreu? – pensou ela. Mas aquilo não fazia nenhum sentido. Até pouco tempo ele lhe dizia que a queria, que a deseja, que ela ela era a “mais linda de todas” e de uma hora para outra tudo mudou. Saiu porta afora, sem rumo, sem direção, procurando encontrar no vento o eco da voz doce de seu amado.

Eles foram por tanto tempo um casal perfeito, daqueles que se inveja por possuirem a sintonia perfeita. Mesmo longe um do outro constumavam entender muito bem o que o outro queria dizer, ainda que nada fosse dito. E seus corpos também se entendiam perfeitamente, no ritmo certo tal qual as batidas de seus corações.

Ela o admirava muito e sempre teve secreta a vontade de ser como ele: um ser dotado de rara sensibilidade e inteligência que sabia apreciar a vida e tirar o melhor de cada momento, tendo o discernimento de separar as paixões que arrebatam da razão que conduz seus passos pela vida real.

Ele via nela a mulher de seus sonhos. Gostava de imaginar que ela era a união perfeita entre a doçura e a fortaleza. Entre o real e o imaginário. E encontrava nela todas as respostas para as questões que o atormetavam. Ela era o seu paradoxo.

A vida entretanto não foi como eles imaginaram: linear. Pregou-lhes “peças”, andou na contramão do vento. Impôs-lhes obstáculos. Aos poucos, o que era para ser a “coroação” da perfeição tornou-se um desfecho de incertezas.

Na casa, vazia, restou apenas um lençol, manchado.

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